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Seis anos no governo
Após breve interregno na Editora Abril, em 1975, foi chamado à presidência da Empresa Brasileira de Turismo - Embratur, onde permaneceu até março de 1979. Em junho de 1978, o general João Figueiredo, então candidato a presidente da República, convidou-o para seu primeiro assessor civil. Farhat acompanhou Figueiredo em sua campanha, por todos os cantos do Brasil. Entre suas tarefas, a mais delicada, e de maior impacto, consistia em escrever todos os pronunciamentos importantes de Figueiredo. Este, assim, confirmava - e tornava irreversível - seu propósito de "fazer deste País uma democracia".
Sua segunda função era cuidar das relações do candidato com os meios de comunicação. Tarefa complicada por dois fatores: primeiro, a recuperação da liberdade da imprensa, com a abolição da censura, na qual Farhat teve papel catalisador, expunha um candidato militar, pela primeira vez, desde 1964, à interpelação e ao questionamento dos meios de comunicação; segundo porque, embora com eleição garantida pelo colégio eleitoral, Figueiredo optara por conduzir sua campanha em moldes idênticos aos de uma eleição direta. Realizou comícios, viajou, encontrou-se com grupos de interesses diferenciados. Neles, fez a apresentação e análise de inúmeros problemas locais, regionais, nacionais e setoriais. Nessa missão, o presidente João Figueiredo usava o tom de absoluta sinceridade das suas convicções, tantas vezes reiteradas, "sejam quais forem as dificuldades e resistências que se me anteponham", como ele costumava dizer.
Sua afirmações e posições de campanha transformaram-se em policies, incorporadas às "Diretrizes" - gerais e setoriais, a maior parte delas redigida por Farhat - que Figueiredo distribuiu aos seus futuros ministros, em janeiro de 1979, dois meses antes da posse.
Contudo, naquele tempo persistiam, nos meios militares, fortes e importantes focos de resistência à idéia de democratizar o País e devolver o poder ao eleito pelo povo. À frente da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Saïd Farhat constituía - como ministro de grande visibilidade no País, através da mídia - sério obstáculo a aventuras e soluções extralegais. Embora repelidas por Figueiredo, tais resistências voltavam sempre à tona. Num dos desdobramentos dessa luta - silenciosa mas duríssima - resolveu-se mudar o papel da Secom. Farhat preferiu sair do governo, em fins de dezembro de 1980, após dois anos e meio de convívio e despachos diários com o presidente João Figueiredo.
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