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 História de outros tempos
 Começo de vida como estatístico
 Vinte e dois anos na comunicação
 Vantagem da teoria, na prática
 Em Londres
 Da publicidade ao jornalismo
   Todos sabem mais
 Quatro anos na EMBRATUR
 A escola do governo
 Dois anos como ministro
 Lições de vida para a vida

  História de outros tempos

"L'expérience est cette petitte cabâne, bâtie avec les débris des grands palais de nos illusions".
Pierre L'Ermite

Dentre os guardados na minha memória, um me volta sempre à lembrança. É uma estória de quando a segunda guerra mundial aproximava-se do seu fim, e ia ficando cada dia mais evidente a influência decisiva da tecnologia nas batalhas do futuro. Segundo uma revista da época, um jovem cientista, incorporado ao exército americano - com o posto, digamos, de major - foi chamado a dar aula a um grupo de militares profissionais - todos veteranos e de patente superior à sua - sobre novos sistemas balísticos, usados pelos alemães para bombardear a Inglaterra. Mísseis nazistas desciam da estratosfera, sem ser detectados pelos radares antiaéreos britânicos, concebidos para localizar e habilitar a Real Força Aérea [RAF] a combater - e, se possível, derrubar - aviões convencionais.

Davam-se então os passos iniciais na guerra tecnológica. Quase nada fora ensinado a esse respeito nas academias militares. Era fácil perceber o embaraço do professor, pouco afeito ao uniforme, mas sabedor das estritas regras e formalidades que governam as relações entre militares de diferentes patentes. A fim de quebrar o gelo, começou:


"O exército dos EE UU tem vários oficiais mais antigos, e mais habilitados que eu, para falar sobre o tema. Mas não vejo nenhum deles por aqui".

E disse a que veio.

Recordo essa anedota de mais de meio século, sempre que falo sobre o meu trabalho. Tive, na vida, como tanta gente, várias profissões. Diferentes umas das outras, com um ponto em comum: os amadores sempre se consideram mais expertos, nelas, que os profissionais. Mas a experiência me ensinou várias coisas, das quais os livros não falam.

© Saïd Farhat