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História de outros tempos
"L'expérience est cette petitte cabâne, bâtie avec les débris des grands palais de nos illusions".
Pierre L'Ermite
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Dentre os guardados na minha memória, um me volta sempre à lembrança. É uma estória de quando a segunda guerra mundial aproximava-se do seu fim, e ia ficando cada dia mais evidente a influência decisiva da tecnologia nas batalhas do futuro. Segundo uma revista da época, um jovem cientista, incorporado ao exército americano - com o posto, digamos, de major - foi chamado a dar aula a um grupo de militares profissionais - todos veteranos e de patente superior à sua - sobre novos sistemas balísticos, usados pelos alemães para bombardear a Inglaterra. Mísseis nazistas desciam da estratosfera, sem ser detectados pelos radares antiaéreos britânicos, concebidos para localizar e habilitar a Real Força Aérea [RAF] a combater - e, se possível, derrubar - aviões convencionais.
Davam-se então os passos iniciais na guerra tecnológica. Quase nada fora ensinado a esse respeito nas academias militares. Era fácil perceber o embaraço do professor, pouco afeito ao uniforme, mas sabedor das estritas regras e formalidades que governam as relações entre militares de diferentes patentes. A fim de quebrar o gelo, começou:
"O exército dos EE UU tem vários oficiais mais antigos, e mais habilitados que eu, para falar sobre o tema. Mas não vejo nenhum deles por aqui".
E disse a que veio.
Recordo essa anedota de mais de meio século, sempre que falo sobre o meu trabalho. Tive, na vida, como tanta gente, várias profissões. Diferentes umas das outras, com um ponto em comum: os amadores sempre se consideram mais expertos, nelas, que os profissionais. Mas a experiência me ensinou várias coisas, das quais os livros não falam.
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