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 História de outros tempos
 Começo de vida como estatístico
 Vinte e dois anos na comunicação
 Vantagem da teoria, na prática
 Em Londres
 Da publicidade ao jornalismo
   Todos sabem mais
 Quatro anos na EMBRATUR
 A escola do governo
 Dois anos como ministro
 Lições de vida para a vida

  Lições de vida para a vida

Tudo isso ajuda a formar o pano-de-fundo, diante do qual - então, como hoje - os atores representam uma peça de faz-de-conta. Ter ocupado cargos no governo ajuda o trabalho do lobista de duas maneiras. Uma é o know how: o insubstituível saber como é. A outra é a reputação formada ao longo do tempo. Ambas abrem portas. Mas, se for o caso de escolher uma só, conceito e reputação são mais importantes que experiência. Abertas as portas, é indispensável dar a quem se fala - autoridade, parlamentar, cliente - a impressão de seriedade que tratei de cultivar e transmitir aos que comigo trabalharam.

Para muitos ministros, deixar de ser é mil vezes mais difícil que ser, ou vir a ser. A minha saída foi sem trauma, como está relatado em outro livro. Decidida no fim da tarde de 17 de dezembro de 1980, nessa mesma noite, minha mulher, uma filha e eu preparamos nossa mudança, após nos despedirmos de mais de 70 convidados que jantaram em casa.

Escrevi a carta de demissão enquanto chegavam os convidados - todos os chefes de comunicação social dos Ministérios e principais empresas do governo - e, entre duas e sete da manhã, fizemos as malas. Alta madrugada, passei o braço sobre os ombros da minha mulher - e disse-lhe:

"Se nós tivéssemos juízo, em vez de mandar as nossas coisas para São Paulo, púnhamos tudo num guarda-móveis, aqui, em Brasília. A abertura vai continuar, e vai ser muito importante estar habilitado a representar os interesses das empresas junto ao Congresso Nacional e ao governo".

Evidentemente, não o fizemos. Passaram-se mais cinco anos até que a oportunidade surgisse, de fato.

© Saïd Farhat