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Por que lobista?
"Não existe acaso. O que para nós parece simples acidente, salta da fonte profunda do destino".
Schiller. A morte de Wallenstein
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Quando falo do meu trabalho dos últimos anos, a gente que me conhece, ou mesmo a desconhecidos, as pessoas dão voltas em torno do assunto, mas terminam por indagar: "Como você se tornou lobista?". Olhando para trás, concluo que toda a minha vida profissional conduziu a esse desfecho. Como está dito no capítulo introdutório sobre o que a experiência me ensinou, quase cinqüenta anos de trabalho contínuo contribuíram para formar, passo-a-passo, o background do que me dediquei a fazer nos últimos anos. Poderia, como o poeta Friedrich von Schiller, dizer que não há acaso, tudo é destino, cuja Forza foi consagrada na ópera de Giuseppe Verdi. Ou, mais simplesmente, reconhecer, como os meus antepassados, que tudo estava maktub [escrito], desde sempre.
No restante do governo Figueiredo, a abertura continuou, como eu previra. A idéia da retomada do processo democrático - firme na cabeça do Presidente - e da qual eu fora seu principal arauto - adquirira dinâmica própria. Independentemente da vontade das pessoas, não tinha mais "volta". Em 1982, houve eleições gerais: governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores. Fiz minha parte: candidatei-me a senador, pelo Acre, meu estado natal, de onde saíra em 1945. Na convenção do PDS, fui o menos votado dos postulantes: um só voto convencional a menos, e eu nem teria concorrido à eleição. O eleitorado deu-me o dobro dos votos somados dos candidatos das outras duas sublegendas do partido. Mas a legenda, o partido, perdeu a eleição por 1.200 votos.
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